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Formas de pagamento: à vista ou parcelado, o que vale mais a pena?

Tempo de leitura: 4 min

Você está com o produto nas mãos e é o próximo a ser atendido na fila de pagamento. Até agora, conseguiu seguir o roteiro da decisão de compra inteligente. Ponderou sobre a necessidade do gasto, selecionou o modelo com melhor relação custo-benefício e buscou o estabelecimento com a melhor oferta.

Para gabaritar, só falta acertar a pergunta feita pelo funcionário do caixa em relação às formas de pagamento: à vista ou parcelado?

Quase ninguém é capaz de responder de imediato a esta questão. A escolha entre essas duas formas de pagamento deixa grande parte das pessoas com dúvidas, mas é possível chegar a uma conclusão sem muita dificuldade.

A seguir listamos algumas dicas para te ajudar a escolher a opção mais vantajosa. Acompanhe:

Avaliar os juros e o valor do dinheiro no tempo

A chave para decifrar o enigma das formas de pagamento está no princípio fundamental da análise financeira: o dinheiro e o seu valor no tempo. Quem empresta uma quantia está abrindo mão de utilizá-la no momento e, por isso, exige uma compensação. Essa recompensa são os juros.

Como a loja que oferece pagamento parcelado está aceitando postergar o recebimento do valor da venda, fica claro que todo parcelamento é, na verdade, um empréstimo — e provavelmente será cobrado como um.

A taxa de juros de um financiamento é calculada com base no valor à vista, no número de parcelas e no valor de cada parcela. Para facilitar as contas, é possível utilizar a calculadora do cidadão, disponibilizada pelo Banco Central.

Uma vez que você já souber quanto vai pagar para parcelar uma compra, o próximo passo é decidir se esse custo é alto ou baixo. Pode parecer estranho, mas essa decisão depende do rendimento dos seus investimentos e isso se deve a outro conceito financeiro importante, o custo de oportunidade.

Calcular o custo de oportunidade

Resumidamente, o custo de oportunidade reflete o que você deixará de ganhar ao tomar determinada decisão. Em outras palavras, é o benefício obtido em caso de uma decisão contrária à analisada. Se o retorno de uma alternativa é menor do que seu custo de oportunidade, você não deve seguir com essa opção.

Como o dinheiro a ser desembolsado no momento da compra à vista pode ser investido, o rendimento dessa aplicação financeira representa o seu custo de oportunidade. Assim, para decidir se o parcelamento vale a pena, é necessário comparar os juros do financiamento com a rentabilidade dos investimentos disponíveis.

Avaliar casos

Para decidir de vez qual forma de pagamento é mais vantajosa, vamos exemplificar na prática o que foi apresentado até agora. Imagine a compra de um item anunciado por R$ 1.000,00 que pode ser parcelada em 10 vezes sem entrada.

Sem desconto à vista

Este caso é fácil de resolver: se não há desconto à vista, a taxa de juros cobrada no parcelamento é zero. Sendo assim, é mais vantajoso parcelar a compra e aplicar o valor.

Com desconto de 5% à vista

Utilizando a calculadora do Banco Central, você descobre que parcelar o valor de R$ 950 — já com desconto — em 10 parcelas de R$ 100 custa cerca de 0,94% ao mês. Como os juros do financiamento são maiores do que o rendimento da poupança, vale a pena aproveitar o desconto e pagar à vista.

Com desconto de 10% à vista

Refazendo as contas e considerando que o valor à vista é de R$ 900, a taxa de juros aumenta para quase 2% ao mês. Logo, parcelar a compra não é mais uma boa opção.

Outro tipo de investimento

Imagine que, ao seguir a recomendação de um assessor de investimentos, você passe a aplicar em um fundo com rentabilidade líquida de 1% ao mês. Neste caso, ainda considerando o desconto de 5%, passa a ser melhor optar pelo parcelamento.

Aposto que antes de ler este artigo você não levava em consideração os seus investimentos na hora de decidir as formas de pagamento de suas compras, certo? A partir de agora, você pode utilizar essas dicas para comprar de forma mais vantajosa.

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